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A inclusão digital dentro e fora de casa  na pandemia

Coluna de Fausto Macedo para Estadão

· News

Kate Pierozzi para Estadão

15 de Abril de 2021

O costume de estar conectado a maior parte do tempo nos faz acreditar que usufruir da internet seja algo simples  no Brasil, mas os dados sobre o setor trazem informações diferentes. No país, 134 milhões de usuários utilizam a  internet (74% da população), enquanto uma a cada quatro pessoas não têm acesso direto, o que representa 47  milhões de não usuários (26% da população), de acordo com uma pesquisa TIC Domicílios conduzida em 2019.

Desde então, novas formas de conectar pessoas e compartilhar informações por meio da internet se tornaram cada vez mais necessárias, uma vez que auxiliam na resolução de problemas em diversas áreas da sociedade, incluindo o isolamento social devido à pandemia. Por outro lado, aqueles que não se familiarizarem com ferramentas digitais correm o risco de se tornarem analfabetos digitais e, por consequência, de estarem impedidos de competir no mercado de trabalho. Mas este ainda não é o problema principal.

A mesma pesquisa também revela que os aparelhos celulares são os dispositivos mais utilizados pela população  (99%), e que 58% dessas pessoas que têm acesso à internet o fazem por meios destes aparelhos.

Segundo a Akamai, plataforma de armazenamento em nuvem responsável por 30% do tráfego online mundial,  desde que a pandemia começou no Brasil, houve um aumento de 112% no uso de rede dentro das casas dos

brasileiros que podem pagar pelo serviço. Porém, quando pensamos em internet fora de casa, a história é outra.

Praças públicas, pontos de ônibus e hospitais, por exemplo, são lugares nos quais a internet como recurso gratuito  precisa existir para a população mais carente, que não tem condição de pagar um pacote de banda larga para ter o  mesmo acesso à informação, seja para resolver urgências pessoais ou demandas do trabalho.

Espaços públicos privados como shoppings também são locais que, incentivados pelo varejo, podem ofertar redes  de Wi-Fi livres para manterem o público conectado e bem informado, além da possibilidade de uso da rede para  ações de marketing.

O debate também se estende para o contexto da educação. Infelizmente, o acesso à internet não é realidade para  muitos alunos no Brasil e nem mesmo as escolas oferecem o serviço de forma qualificada. Hoje, 29% das unidades  da rede pública não têm internet e 55% não têm conexão adequada, segundo dados do Datafolha no ano de 2020.

A inclusão digital democratiza o acesso à informação e ao lazer e reconfigura a maneira de trocar conhecimento  na sociedade na qual estamos inseridos. O caminho ideal agora é facilitar o acesso para o maior número de  pessoas possíveis por meio de redes Wi-Fi gratuitas e fortalecer o conceito de cidade inteligente nos grandes e  pequenos municípios. Só assim vamos caminhar para um futuro mais inclusivo em termos digitais.

*Katie Pierozzi é CEO da Mambo WiFi

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